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A chegada do café às Américas

15 de maio de 2024 · 5 min de leitura

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A chegada do café às Américas

O café chegou às Américas como alternativa ao fornecimento do Iêmen e de Java. As colônias francesas e holandesas, em poucas décadas, tornaram-se os principais fornecedores de café do comércio internacional.

No fim do século XVIII, as colônias britânicas da América do Norte não estavam nada satisfeitas com o aumento de impostos sobre produtos essenciais. Isso levou ao fim da tradição do chá e ao início do consumo de café como símbolo de liberdade.

Uma cultura colonial: o interesse holandês e francês pelo café

Os árabes foram os primeiros a descobrir o grão de café, muito tempo atrás. Começaram a cultivá-lo em sua terra e, com o tempo, o resto do mundo seguiu o exemplo. Os holandeses entraram rápido na jogada e começaram a cultivar café em suas colônias. No entanto, não eram os únicos interessados nessa nova bebida.

Os colonos, comerciantes e mercadores holandeses e franceses participaram dessas transações cuidando de mudas de café nos jardins botânicos de sua terra como se fossem seus próprios filhos. Depois as plantavam com cuidado em plantações no Caribe, garantindo a melhor chance possível de virarem cafeeiros fortes e saudáveis.

Foram particulares que assumiram o transporte e o cultivo do café no Novo Mundo. As diferenças de clima e solo se traduziram em marcadas diferenças de sabor.

Como os holandeses dominaram o comércio do café

Os holandeses superaram o porto de Moca e os do Mediterrâneo para transformar Amsterdã no principal comerciante de café do mundo por mais de um século. Por volta de 1730, Amsterdã comercializava café de diferentes origens.

Embora o café ainda fosse um pequeno mercado de luxo na Europa, sua demanda superou as possibilidades e capacidades de Moca.

Noventa por cento das importações de Amsterdã em 1721 vinham de Moca. Em 1726, 90% vinham de Java. Mas os holandeses não eram movidos apenas pela lógica mercantilista. Estavam dispostos a importar café mais barato de outros lugares e vender o produto de Java na Ásia.

Por volta de 1750, as importações de produção americana de Amsterdã quase igualavam suas compras de café javanês. No início, o produto americano era sobretudo produção colonial da Guiana Holandesa.

Torra francesa: a viagem do pé de café até a Martinica

É impressionante o que as pessoas fazem pelo seu café. O tenente Gabriel de Clieu fez de tudo para levar um pé de café numa travessia pelo Atlântico. Teve que dividir sua ração de água com a planta e protegê-la de diversas ameaças. Finalmente, em 1723 chegou com a planta e a plantou na Martinica. A maioria dos cafeeiros das Américas descende dessa planta.

Logo, o preço da produção francesa de Saint-Domingue tornou aquela ilha mais atraente. Antes da Revolução Francesa, mais de 80 por cento da produção mundial vinha das Américas.

Em 1791, as pessoas escravizadas em Saint-Domingue (Haiti) se revoltaram e destruíram as plantações de café. Foi um golpe significativo para a indústria cafeeira, já que era um dos principais produtores da época.

A rebelião durou 12 anos. As tropas francesas tentaram retomar a ilha, mas foi em vão. Napoleão exclamou furioso: “Malditas colônias! Maldito café!”.

A bebida do patriota: como o café virou símbolo americano

A Festa do Chá de Boston foi uma ação política e de protesto realizada por um grupo de colonos americanos em resposta aos impostos que o governo britânico impôs ao chá. Em 16 de dezembro de 1773, os colonos, frustrados com os altos impostos, se disfarçaram de indígenas e jogaram caixas de chá no porto de Boston. Foi um acontecimento significativo da Revolução Americana, que demonstrou o crescente descontentamento dos colonos com o domínio britânico.

Depois da Festa do Chá, tomar café virou um ato patriótico nos Estados Unidos. Embora as colônias americanas consumissem chá, os novos impostos e alfândegas com restrições ao livre comércio geraram rejeição ao chá e a outros produtos. Outros bens de acesso próximo e fácil os substituíram. O melhor exemplo foram os grãos de café comercializados no Caribe por mercadores holandeses e franceses. Tomar café tornou-se uma forma de apoiar a Revolução Americana!

No século XIX, os Estados Unidos se tornaram um dos maiores consumidores de café do mundo. Isso se deveu sobretudo ao fato de o café estar mais barato e acessível do que nunca. A expansão das plantações de café no Brasil para atender à demanda da Europa e dos Estados Unidos é a razão mais provável.

Da Guiana Francesa com amor: como o café chegou ao Brasil

O Brasil produzia mais da metade do café mundial na década de 1850 e respondeu por cerca de 80 por cento da expansão global subsequente.

A história da chegada do café ao Brasil começou com uma disputa de fronteiras e um caso de espionagem romântica. Em 1727, a Guiana Francesa e a Holandesa discutiam suas fronteiras. Decidiram pedir a um oficial brasileiro, Mello Palheta, que fosse parte independente na decisão. Ele se apaixonou pela esposa do governador da Guiana Francesa. Os dois viveram um romance apaixonado entre uma negociação e outra. Quando o oficial partiu, ela lhe deu flores com bagas férteis de café no meio do buquê.

A expansão da produção de café no Brasil causou grande alvoroço. Foi tão grande que todas as matas próximas às principais cidades desapareceram! E os latifundiários iniciaram um empreendimento em larga escala de café, cana-de-açúcar e gado. A maior parte do trabalho pesado no Brasil foi realizada por pessoas escravizadas que sofreram condições brutais até a abolição da escravidão em 1888.

Quase nenhum café nas colônias espanholas

Café nas colônias espanholas? Mal um pingo! No fim do século XVIII, o café quase não estava presente nas colônias espanholas. Existiam algumas plantações e havia cafés nas cidades, mas o consumo não era comum. A introdução das plantações e a decolagem do consumo de café começaram décadas depois, quando a maioria desses territórios se tornou independente e buscou oportunidades comerciais nos mercados internacionais.

Prove no que aquelas plantas se transformaram

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