← The Magazine

Chucula: a transformação mágica do comum em extraordinário

15 de maio de 2024 · 4 min de leitura

chuculacacaucomida-colombianareceitas-patrimoniais
Chucula: a transformação mágica do comum em extraordinário

O chocolate era a joia da coroa durante o período colonial! Era uma bebida luxuosa digna de reis e rainhas, reservada exclusivamente à aristocracia abastada. Era uma mistura especial de especiarias e açúcar tão deliciosa que fazia as papilas gustativas cantarem. Era uma iguaria real à qual mais ninguém tinha acesso.

Naquela época, as colônias espanholas da América eram como crianças numa loja de doces, consumindo cacau a cada oportunidade como se fosse a coisa mais deliciosa que já tinham provado. Eram conhecedores enlouquecidos por cacau, devorando-o com alegria e deleite.

É como tomar chocolate quente num dia frio de inverno. Os ricos podiam apreciá-lo numa fina xícara de porcelana e os pobres numa caneca ou cuia, mas de todo modo desfrutavam do calor, da doçura e do conforto que só uma xícara de chocolate pode trazer. Não importa como seja servido, ninguém precisa ficar sem esse alimento essencial.

Uma xícara de criatividade: o delicioso mundo das bebidas de cacau

Essa era a maneira clássica de conseguir a coisa boa, mas dependendo da região, mentes criativas inventaram novas receitas para transformar o cacau num verdadeiro energético para os camponeses trabalhadores. Era como uma xícara de café, mas com um delicioso toque achocolatado — suficiente para dar a energia necessária para arar os campos e dar conta do trabalho.

Uma xícara quente de “atole” (um delicioso mingau de milho) é uma iguaria favorita no México. Prepará-lo é uma arte: começa-se dissolvendo uma pastilha em água quente e depois bate-se com um molinillo, como um chef misturando seus ingredientes secretos. Quando está espumoso e pronto, enche-se a xícara com atole e bebe-se aos goles.

A Colômbia teve uma ideia brilhante séculos atrás quando misturou cacau e farinha de milho para criar a deliciosa bebida conhecida como “chucula”. Foi um sucesso entre as classes populares por ser uma alternativa mais barata e acessível ao cacau, mas com resultado parecido.

Hoje em dia as pessoas criaram diferentes versões da chucula conforme a região: usam diferentes tipos de milho, cereais, especiarias e até açúcar para dar aquele toque especial. É como uma poção mágica que transforma o comum em extraordinário:

  • “Quatro libras de cacau torrado e moído são colocadas em oito libras de açúcar e uma onça de canela, tudo o que, uma vez incorporado, é reduzido a pastilhas de 15 gramas.
  • Cada uma dessas pastilhas dissolvida em água fervida dá uma xícara de chocolate, que é a porção de cada pessoa“.
  • “Os pobres consomem chocolate de farinha, preparado assim: a cada quatro libras de cacau acrescentam-se vinte libras de farinha de milho torrado, quarenta libras de rapadura, quatro onças de cravo-da-índia e duas de canela.”

Chucula de 7 grãos: uma receita patrimonial feita de coração

A chucula é como uma máquina do tempo num copo! Leva você de volta aos tempos antigos, quando as pessoas usavam apenas ingredientes naturais para fazer bebidas deliciosas. É como um abraço da sua avó: caloroso, reconfortante e cheio de amor.

São sete os grãos que compõem a chucula autêntica: fava, ervilha, cevada, trigo, grão-de-bico, milho e lentilha. Depois de torrados e moídos, são misturados com uma calda preparada com água e rapadura, fervida até um ponto exato para que não cristalize.

E se eu dissesse que tomar chucula de 7 grãos é como fazer uma excursão a uma fazenda mágica? Cada gole dessa deliciosa mistura transporta você para um lugar cheio de milho beijado pelo sol, cana suculenta e grãos de cacau até onde a vista alcança. É uma delícia saborosa e uma ótima maneira de apoiar os pequenos e médios agricultores que trabalham duro para manter suas lavouras.

Dona Genoveva García: Esta receita tem 40 anos; foi meu pai quem me ensinou, e ele aprendeu com minha avó. Pode-se dizer que é uma receita que passou de família em família, de geração em geração (Prada Nagai, Bustamante, Trujillo e García, 2011):

  • Uma vez pronta a mistura, acrescente o melado aos poucos para hidratar e formar as bolas.
  • Para formar a bola é preciso sovar várias vezes, já que o produto tem gordura própria e pode deformar.
  • Meu pai fazia, para cada quilo de cacau, meia libra de cada grão.
  • Ingredientes da chucula: cacau, milho, grão-de-bico, ervilha, cevada, lentilhas, cravo, canela e favas.
  • Começa-se torrando o cacau conforme a umidade do grão, entre 16 e 18 minutos; descasca-se e mói-se para obter o líquor.
  • O milho, o grão-de-bico, as ervilhas, a cevada, as lentilhas e as favas são torrados, e os cereais torrados são moídos para obter a farinha.
  • Essa farinha é depois misturada ao líquor de cacau.
  • Às vezes é feita com açúcar e rapadura.
  • Uma vez pronta a mistura, há um tempo de descanso de 24 horas antes de embalar.

Conheça o grão por trás disso

A chucula rendia o cacau com grãos torrados porque o próprio cacau era inalcançável. Nossa degustação Do Cacau à Barra são três horas do grão à barra: torra, descascamento, moagem e degustação do chocolate em cada etapa, para que o líquor da receita de dona Genoveva deixe de ser uma abstração. O horário é flexível e é combinado pelo WhatsApp; acontece em português, inglês ou espanhol.

Continue lendo